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terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Lançamentos de fim de ano

Os fãs de literatura russa nunca tiveram um natal tão repleto de lançamentos como o de 2011. Primeiro tenho de voltar alguns meses para lembrar a todos do lançamento silencioso de Minha Vida (Моя жизнь), de Tchékhov, pela editora 34. Lançado originalmente em 1896, Minha Vida se destaca na bibliografia de Tchékhov como uma de suas obras mais extensas. O livro narra a história de Missail Póloznev, jovem que troca o conforto familiar pela vida proletária, tema recorrente nas obras dos autores que apareceriam mais tarde na Russia Soviética, porém incomum na obra de Tchékhov.


Minha vida: conto de um provinciano
Anton Chekhov
Editora 34
Tradução de Denise Sales
Editora 34
160 pag
R$35







O outro lançamento da editora 34, Nova antologia do conto russo, faz referência direta a Antologia do conto russo, coleção em oito volumes da editora Lux lançada em 1961 que abriu muitas portas pra literatura russa no país. A Nova antologia tem valor quase histórico no mercado editorial por conter autores inéditos no Brasil, como Nicolai Karamzin, fundador da prosa russa, ou Vsiévolod Gárchin, um dos maiores contistas da Russia do século XIX desconhecido no ocidente. Além destes, encontramos alguns velhos conhecidos: Dostoiévski, Tolstói, Gógol, Tchékhov, Púchkin, Liérmontov e Turguêniev, cobrindo dois séculos de prosa russa de maneira unica.

Nova antologia do conto russo 
(1792-1998)
Organização de Bruno Gomide
Editora 34
648 pag
R$74







A Ateliê Editorial lança Teatro Russo - Literatura e Espetáculo, das professoras Elena Vássina e Arlete Cavalieri: "Esta publicação traz um amplo debate sobre os  mais variados aspectos, que  cercam a história e a estética da arte teatral na Rússia. O exame  atento da interação orgânica entre as diferentes linguagens, que conformam o ato teatral, confere aos textos aqui presentes extremo interesse pelo alto grau de inovação investigativa na abordagem de questões cruciais para os estudos do fenômeno do teatro, tais como a arte do ator e a do encenador, a função do diretor, o papel do dramaturgo e do texto literário,  a criação do cenógrafo e do coreógrafo na estruturação do texto cênico."

Teatro Russo - Literatura e Espetáculo
Elena Vássina e Arlete Cavalieri
Ateliê Editorial
432 pag
R$59










Por fim, depois de surpreendentes 142 anos após o lançamento original da obra, os brasileiros poderão ler pela primeira vez em tradução direta do russo, Guerra e Paz (Война и миръ) de Tolstói (Cosac Naify). Esta edição encerra um capítulo na história editorial brasileira, iniciado há mais ou menos uma década, quando os clássicos da literatura russa foram pouco a pouco recebendo o tratamento merecido das nossas editoras. Rubens Figueiredo, já famoso por traduzir outros clássicos de Tolstói, demorou três anos para traduzir a obra que levou cinco exaustivos anos de pesquisa, escrita e reescrita de Tolstói (e sua esposa, claro). Antes tarde do que nunca.

Guerra e Paz
Liev Tolstói
Tradução de Rubens Figueiredo
Cosac Naify
R$198









Links adicionais

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Um final Tchekhov

"Na literatura, exitem os finais de Tchekhov e os de Shakespeare. Nos de Shakespeare, as pessoas terminam mortas. Nos de Tchekhov, deprimidas, amarguradas, mas vivas. Espero que Israel tenha um final de Tchekhov". 
- Amós Oz 

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Os logos do Google

Em comemoração ao 13º aniversário do Google fiz um apanhado de logos relacionados aos russos. A maioria foi para o ar só no Google Russia ou Ucrânia e outros poucos foram mundiais, como o do Gogol. Se dependesse de mim, todo dia seria aniversário de Púchkin no Google.

6 de junho de 2009, aniversário de Púchkin
15 de outubro de 2009, aniversário de Liermontov
29 de janeiro de 2010, 150º aniversário de Tchekhov
15 de maio de 2011, 120º aniversário de Bulgakov
11 de novembro de 2011, 190º aniversário de Dostoiévski
1º de abril, 200º aniversário de Gogol

9 de setembro de 2009, 240º aniversário de Ivan Kotlyarevsky
5 de agosto de 2009, 165º aniversário de Ilya Repin
24 de maio de 2009, dia do alfabeto cirilico

12 de julho de 2011, 450º aniversário da catedral de São Basílio 

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Lançamentos: Agosto de 2011

Agosto é o mês da literatura russa, com o lançamento de uma tradução inédita de Dostoiévski e duas caixas de livros, que podem facilitar um pouco a vida do leitor.

O lançamento principal é O Duplo (Двойник), de Dostoiévski, que sai pela Editora 34 em uma tradução inédita de Paulo Bezerra. Até então só disponível em Portugal ou em sebos por preços astronômicos numa tradução indireta. O release da editora:

Pouco depois de seu aclamado romance de estreia, Gente pobre (1846), Dostoiévski publicava O duplo. Embora incompreendido pela crítica da época, devido à novidade do tema e ao experimentalismo formal propostos, o autor sempre teve plena convicção sobre sua importância, a ponto de escrever no Diário de um escritor, vinte anos mais tarde: "nunca dei uma contribuição mais séria para a literatura do que essa".
De fato, o drama do pequeno funcionário que, oprimido pelo contraste entre a imagem que faz de si mesmo e a realidade, passa a enxergar e conviver com seu próprio duplo — que o persegue e ameaça levá-lo à loucura —, era já o primeiro esboço do principal personagem-tipo dostoievskiano: o "homem do subsolo", o indivíduo cindido internamente que se desdobraria no Raskólnikov de Crime e castigo, no Míchkin de O idiota, em Ivan Karamázov e em vários outros.
Influenciada por Hoffmann e Gógol, esta história — capaz de suscitar igualmente o riso e a dor — ganha aqui sua primeira tradução direta do russo, que busca preservar todas as nuances do texto, e vem acompanhada de uma seleção das magníficas ilustrações do artista expressionista austríaco Alfred Kubin (1877-1959).

Raquel Cozer ainda informa em sua coluna de 30/7 que o livro terá três capas diferentes, nada que a editora confirme. Tal edição não poderia sair em melhor hora, dados os rumores de adaptação da obra para o cinema, com  direção de Richard Ayoade e Jesse Eisenberg no papel principal.

A L&PM está lançando a caixa especial literatura russa, uma caixa com algumas traduções indiretas que acaba saindo pelo mesmo preço dos livros separados. A caixa é composta por:

Nikolai Gogol:
- O Capote seguido de O Retrato - tradução do francês por Roberto Gomes
- O Nariz seguido de Diário de um Louco - tradução do francês por Roberto Gomes
Lev Tolstói:
- A Felicidade Conjugal seguido de O Diabo - tradução do russo por Maria Aparecida Botelho Pereira Soares
- Senhor e Servo & outras histórias - Tradução do russo por Tatiana Belinky
Anton Tchékhov:
- A Dama do Cachorrinho e Outras Histórias - tradução do russo por Maria Aparecida Botelho Pereira Soares
- Um Homem Extraordinário e Outras Histórias - Tradução do russo por Tatiana Belinky
Fiódor Dostoiévski:
- Noites Brancas - tradução do inglês por Natália Nunes

O último lançamento do mês é uma caixa da Editora 34 com quatro livros de Dostoiévski: Gente Pobre, Noites Brancas, Memórias do Subsolo e Duas Narrativas Fantásticas (todos tradução direta). O lançamento é exclusivo da Livraria Travessa, que está com um preço bem mais simpático do que os preços normais dos livros soltos.

O mercado editorial está em um ótimo momento, tanto pra quem já é conhece os russos quanto pra quem quer conhecer. A promessa é de que até o fim do ano veremos o lançamento de Guerra e Paz de Tolstói (Cosac Naify) e Contos de Bunin (Amarilys), Nobel  de Literatura de 1933 pouco conhecido no Brasil.

domingo, 31 de julho de 2011

Literatura Ilustrada II

Maxim Gorki com o crítico literário Vladimir Stasov e o Pintor Ilya Repin
Tolstoy e Górki
Tchekhov em família
Bônus: Marilyn Monroe lendo Guerra e Paz

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Olá Emílio

Daniela Albuquerque encena peça-cabeça
A apresentadora da Rede TV atuou em "Cantando Tchecov", na Escola de Teatro Célia Helena (Veja SP)




Daniela Albuquerque está toda feliz. A apresentadora e primeira-dama da Rede TV! (ela é casada com Amilcare Dallevo Jr., sócio majoritário da emissora) encenou na semana passada três apresentações da peça Contando Tchecov, baseada em três contos do dramaturgo russo Anton Tchecov (1860-1904), na escola de teatro Célia Helena.

Como se preparou para o espetáculo?
Sou muito dedicada. Para mim, é um prazer ler os livros dele. Ensaiei todas as tardes nas últimas semanas para encarar o palco com segurança.

Por que decidiu fazer aulas de teatro?
Estava terminando a faculdade de jornalismo e queria engatar outra coisa. Daí, um dia vi a Mariana Ximenes dando uma entrevista ao Amaury Jr. sobre a escola onde ela estudou. Foi um incentivo. Eu me formo no ano que vem.

É verdade que a comparam com Hebe Camargo devido ao apreço às joias?
Sério? Somos amigas. Se ela vier trabalhar na Rede TV!, ficarei muito feliz. É verdade que amo pedras grandes e de todas as cores. Alguns joalheiros ligam para o meu marido quando fazem peça nova. Sou mão de vaca.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Lançamento: A Dama do Cachorrinho em DVD


Ialta, verão de 1899. Dmítri Gurov, banqueiro moscovita, apaixona-se pela jovem Ana Sierguéievna, que passeia sempre com seu cachorrinho. Ele vive um infeliz casamento arranjado; ela afunda-se numa união sem amor. Ambos de férias sem seus cônjuges, Dmítri e Ana começam uma relação amorosa. Após breve período, ela regressa a Saratov e ele a Moscou, acreditando que ser este um adeus definitivo. Por todo o inverno, Dmítri sente-se infeliz, melancólico e irritadiço. Em desespero, ele decide ir a Saratov, surpreendendo Ana num concerto. Temendo ser descoberta em sua cidade natal, ela promete ir a Moscou revê-lo. Abdicarão eles de suas reputações para viverem juntos ou será uma relação inconstante, marcada por encontros furtivos em quartos de hotel? Baseado no conto de Anton Tchekhov, A Dama do Cachorrinho é um belíssimo filme sobre o amor, nomeado à Palma de Ouro em Cannes. 


Atores: Aleksey Batalov, Iya Savvina, Pantelejmon Krymov, Nina Alisova
Direção: Iosif Kheifits

Fonte: Cult Classics

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Casa em que Tchekhov escreveu clássicos será restaurada

A casa onde o dramaturgo russo Anton Tchekhov escreveu alguns dos seus principais trabalhos será restaurada até o final deste ano, após décadas de descaso, afirmou a instituição de caridade britânica que está por trás do projeto nesta segunda-feira (1).

Em 1898 Tchekhov se mudou para a residência chamada de Datcha Branca, na cidade de Ialta, na costa ucraniana do Mar Negro, com o objetivo de tratar a tuberculose, doença de que sofreu durante grande parte de sua vida adulta e que causou sua morte, em 1904.

Transformada em museu em 1921, a Datcha Branca ficou aos pedaços e teve de ser parcialmente fechada em 2007, afirmou em comunicado nesta semana a Fundação Anton Tchekhov, que tem sede em Londres.

Cercado por ciprestes e árvores frutíferas, Tchekhov escreveu "O jardim dos cerejeiras" e "As três irmãs" na casa. A costa próxima era o cenário de "A dama do cachorrinho".

Criada pela biógrafa e tradutora de Tchekhov Rosamund Bartlett há dois anos, a fundação levantou 392 mil dólares para "reverter o estado desses monumentos históricos muito importantes", afirmou a fundação, destacando que a casa será finalizada ainda neste ano.

Depois da obter a maior parte da ajuda do governo ucraniano, a quantia foi aumentada por escritores e atores britânicos, como Ralph Fiennes e Kenneth Branagh.

O Fundo de Embaixadores dos Estados Unidos para a Preservação Cultural também fez doações, além de Evgeny Lebedev, filho de Alexander Lebedev, magnata da imprensa russa e dono de dois jornais britânicos.
O mundo celebra neste ano 150 anos do nascimento de Tchekhov, que ficou famoso por combinar um estilo de escrita primordialmente emotivo com estudos detalhados da condição humana.

Neste ano, a Rússia realizou um festival nacional em memória de Tchekhov, e suas peças foram apresentadas em todo o mundo, incluindo pela primeira vez no idioma suaíli, no Quênia.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Maratona festeja 150 anos do dramaturgo Anton Chekhov

O dramaturgo que tão bem retratou o fracasso e os amores não realizados continua celebrado - o médico russo Anton Chekhov (1860-1904), que se tornou um mestre ao reproduzir a imagem e a alma do ser humano, com suas sutilezas, contradições e banalidades, inspira a partir de hoje uma vasta programação que vai ocupar a Funarte durante dois meses em homenagem aos 150 anos de seu nascimento. Trata-se do Espaço Chekhov 2010, conjunto de espetáculos, workshops, exposições e debates, um autêntico cruzamento entre o teatro, com suas coxias, camarins e cenários, e os gabinetes de pesquisa e trabalho.

"A proposta é apresentar as diversas facetas da obra de Chekhov", comenta a curadora Elena Vassina, professora da USP e especialista em literatura russa. "E, para isso, contamos com a colaboração de um especialista na obra de Chekhov, o encenador Adolf Shapiro." Ele dirige "Chekhov4 - Uma Experiência Cênica", projeto que será executado pela Cia. Mundana de Teatro, formada por atores brasileiros, e que estreia hoje.

Shapiro é reconhecido internacionalmente como um dos mais importantes encenadores das peças de Chekhov. Conhecedor do método Constantin Stanislavski de atuação (que busca a "verdade artística"), ele aplica tal filosofia na montagem paulistana, que oferece uma concepção inovadora - o público irá assistir ao primeiro ato de "A Gaivota", ao segundo de "Tio Vânia", o terceiro de "O Jardim das Cerejeiras" e ao último e quarto ato de "As Três Irmãs".

"Não haverá confusão, pois a estrutura dramática das peças é muito parecida", comenta Elena, que exemplifica: "No primeiro ato, há um enlace, as esperanças, surgem os primeiros acontecimentos; o segundo é marcado pelo desenvolvimento dessa sequência; no terceiro, surgem os conflitos, as colisões; e, no quarto, tudo volta a ser como antes. Não se trata de uma estrutura simplista, mas inovadora."

Para justificar, Elena se recorda da carinhosa relação surgida entre Shapiro e o elenco brasileiro (Aury Porto, Luah Guimarãez, Fredy Állan, Lúcia Romano, Sylvia Prado, Sérgio Siviero, Silvio Restiffe e Vanderlei Bernardino) que, há um mês, ensaiou em São Paulo. "Acredito que a magia do texto explica isso", afirma. "Como o teatro de Chekhov sempre detestou o superficial, o ator necessita abrir sua alma e buscar a essência humana, o que desperta uma relação muito próxima com o diretor." Para ela, o teatro de Chekhov aproxima-se do poético, algo como Pushkin em prosa. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Programação

"Chekhov4 - Uma Experiência Cênica". Peça estreia hoje;
"Enfermarias No. 1-6". Leitura dramática com Maria Volskaia, dias 17 e 18;
"Pequenas Mortes" (Procedimento 2). Corpo-instalação da performer Vera Sala, dia 24;
"E A Vida Continua - Uma Etnografia Chekhoviana". Audiotour a partir do dia 30;
"Valsando com Chekhov". Exposição permanente de José Roberto Aguilar. 

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Teatro SP: As Três Irmãs

Peça apresenta texto do dramaturgo russo Anton Tchékhov no Viga Espaço Cênico



Entre 1° de setembro e 18 de novembro, o espetáculo As Três Irmãs fica em cartaz no Viga Espaço Cênico. A montagem é uma adaptação livre do clássico texto do dramaturgo russo Anton Tchekhov (1860-1904), escrito em 1900. 

As personagens são interpretadas a partir da Clown (palhaço). A técnica é aquela em que o intérprete vive o magnífico e o cômico em condição de afetividade e poesia, priorizando a exposição das fragilidades.

A narração de Tchékhov discorre sobre o desejo das irmãs Olga, Maria e Irina em retornarem a Moscou. Há onze anos, elas saíram da terra natal com o irmão e o pai, um general militar que acabara de falecer. 

Toda a trama se passa na nova casa das irmãs, localizada em uma cidade provinciana russa. Mais importante que o plano dos acontecimentos, entretanto, é a ligação que o autor estabelece entre o cotidiano da vida humana e a eternidade.

Assim, o conflito acontece entre dois diferentes tipos de vivencias: o das três irmãs, que buscam a verdade e a beleza, e o do restante das personagens, que representam um tipo de viver vulgar e trivial, regido apenas pelo bom senso material.

Ficha Técnica 
Texto: Anton Tchekhov
Tradução: Gabor Arany 
Direção: Pedro Garrafa
Elenco: Eloisa Vilela Fusco, Lilia Nemes, Patricia Castilho, Henrique Zanoni, Adriana Guerra, Lecio Rabello, Luiz Luccas, Kuarahy Fellipe, Cesar Baccan, Gerson Almoster, Sergio Lessa, Ulisses Sakuarai e Suia Legaspe
Preparação de atores: Cintia Di Giorgi
Assistente de direção: Diego Leiva
Figurino: Anne Cerutti
Cenário: Guilherme Pantaleão Albano
Trilha sonora: Diego Leiva
Iluminação: Pedro Garrafa
Fotografia: Ricardo Mattos e Denise Mahler
Produção executiva: Eloisa Vilela Fusco, Lilia Nemes (Cia dos Desejos) e Felipe Tazzo (3S Projetos)
Assistente de produção: Gerson Almoster
Idealização, realização e produção: Eloisa Vilela Fusco e Lilia Nemes (Cia dos Desejos)

Foto: Denise Mahler

Local: Viga Espaço Cênico (INFORMAÇÕES)
Preço(s): R$ 30,00.
Data(s): 1º de setembro a 18 de novembro de 2010.
Horário(s): Quarta e quinta, 20h30.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Tchekhov no Programa de Leituras Públicas

A partir da próxima quinta-feira (12/8), sempre às 16h, a Casa de Dona Yayá realiza o Programa de Leituras Públicas, que em cada ciclo propõe a leitura de peças escritas por autores eminentes do teatro moderno e contemporâneo. As peças são lidas por funcionários da área artística do TUSP, por artistas em formação, por atores convidados e pelo público presente.

O Programa participa do Núcleo de Experiência e Apreciação Teatral do TUSP, que conta com a mediação dos Orientadores de Arte Dramática do órgão. Neste ciclo, o Teatro da USP – TUSP propõe, com a parceria do Centro de Preservação Cultural – Casa de Dona Yayá, o dizer de peças de um ato de Anton P. Tchékhov, em homenagem aos 150 anos de nascimento do autor russo.

Programação
12/8 – O Urso – Peça em um ato
19/8 – O Pedido de Casamento – Farsa em um ato
26/8 – O Canto do Cisne – Estudo dramático em um ato

Serviço
Casa de Dona Yayá
Rua Major Diogo, 353 - Bela Vista
Tel.: (11) 3106-3562

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Lapidador do dia a dia: Tchekhov retrata a gangrena social da Rússia

Por Leonardo Fróes para a Folha

"AOS QUE VIRÃO DEPOIS DE NÓS" é uma ideia que ocorre a três por dois em Tchekhov. Com pequenas variações, a frase está em muitos das centenas de seus contos e é manifestada no teatro por personagens como Verchinin, de "As Três Irmãs", Trofímov e Ânia, de "O Jardim das Cerejeiras", e Sônia, de "Tio Vânia".

O vislumbre de uma humanidade melhor em 200, 300 ou milhares de anos se contrapõe nos textos do autor ao que ele mostra com isenta objetividade: uma sociedade em fase terminal. As duas últimas décadas do século 19 impunham grandes transformações. Mas o mundo czarista de fundamento agrário, tornando-se obsoleto ante o vapor da indústria, que retalhava com o trem de ferro as fazendas, apodrecia por inércia.

Pelas futuras gerações da espécie, sacrifica-se a sociedade doente, que sofre, sobretudo, de estreiteza mental. A trajetória do humano importa mais que suas manifestações provisórias. Clinicamente, como o médico praticante que foi, Tchekhov observa e anota os sintomas que ausculta no corpo social gangrenado. Não lhe cabe tomar partido, nem ceder à tentação de opinar. Sua função é coletar os dados que os sentidos apuram. Seus contos são anamneses, às vezes inconclusivas.

Evitar o desfecho de mão única é um dos trunfos autorais que o situam num quase ponto de largada para trilhas modernas. Em vez de pontos finais, a conclusão de muitos relatos -aqui e ali alguma ação que ficará em suspenso- são hipóteses apresentadas a quem pratica a leitura. O conto não acaba, mas se interrompe. A vida continua. Que o leitor complete os finais, ou que os deixe mais abertos ainda, com base nos dados que tem aos olhos.

sábado, 3 de julho de 2010

O Duelo de Chekhov

Eis que se revela uma nova adaptação para o cinema da novela de Tchekhov, O Duelo. Segundo a Wikipedia, filmado na Croácia com atores ingleses e irlandeses e uma boa recepção até então. Se nem A Última Estação chegou aqui ainda, devemos esperar que esse chegue? Hmm.

Mais informações no site oficial.

domingo, 27 de junho de 2010

CULT: Tchekhov 150 anos

Evento reúne em São Paulo artistas e intelectuais envolvidos com obra do autor

Peças e leituras dramáticas fazem parte da homenagem prestada a Tchekhov

Série de palestras, peças, oficinas e leituras dramáticas que ocorre ao longo de junho homenageia os 150 anos de nascimento do escritor russo Anton Tchekhov (1860-1904). No evento Tchekhov 150 anos, estarão presentes artistas e intelectuais envolvidos com a obra do autor, como o filósofo Luiz Felipe Pondé, o professor e tradutor Boris Schnaiderman e o diretor do grupo TAPA, Eduardo Tolentino.

Eloisa Vilela Fusco, uma das organizadoras do evento, explica por que a obra do escritor se mantém atual: “A questão do humano presente em Tchekhov é o que nós todos buscamos. Isso se resume a fazer com que um ato pequeno tenha sentido dentro de um contexto muito maior. Eu sinto que as pessoas continuam buscando algo que elas possam fazer e que lhes dê sentido”.

A ideia da homenagem surgiu quando a Cia. dos Desejos, da qual Eloisa faz parte, começou a montar a peça As Três Irmãs, que abre a programação do evento: “Como nós estávamos estudando a peça e o autor, tínhamos vontade de falar da obra de Tchekhov como um todo, de outras peças, como A Gaivota e Jardim das Cerejeiras”. Confira o depoimento das professoras Aurora Bernardini e Elena Vássina, que participam da homenagem ao autor russo.

Aurora Bernardini, professora de língua e literatura russa da USP
Meu primeiro contato com Tchekhov foi em inglês. Quando estudante de anglo-germânicas, fiz um trabalho comparando dois contos: “ Bliss” (“Beatitude”, mas aqui traduzido por “Felicidade”), de Katherine Mansfield com “The loved one” ( “Dúchetchka” de Tchekhov, aqui traduzido como “A queridinha”). Ambos os contos tratam do amor de duas mulheres e ambos são muito verdadeiros.

Meu segundo contato com Tchekhov foi em russo, com um pequeno sketch satírico que traduzimos para o português, no Curso Livre de Língua Russa: “O bilhete premiado”. Conheci um outro Tchekhov, o humorista que escrevia para os jornais pequenas cenas que tinham sucesso e lhe permitiam pagar os estudos e ajudar a família. Mais tarde, tornei-me leitora de praticamente toda a sua obra, tendo traduzido alguns contos e algumas peças breves, que foram publicados.

Elena Vássina, pesquisadora de literatura russa e professora da USP
Meu primeiro contato com a obra do Tchekhov foi na infância. Acho que eu ainda não sabia ler e meu avô meu lia os contos infantis. Eu me lembro que na infância eu assisti a um filme maravilhoso, que era para adultos, chamado Dama do Cachorrinho; o filme foi premiado no Festival de Cannes em 1960. Depois, como sou russa, já na segunda série, comecei a estudar e a ler a obra de Tchekhov e depois não parei mais.

O ano internacional do Tchekhov é muito importante e atual para a literatura e o teatro contemporâneos. Neste ano, o evento é comemorado no mundo inteiro, então é eu acho importante que o Brasil está no mundo e não fora do mundo. Tchekhov inaugurou a nova época no teatro moderno e contemporâneo, abriu caminhos para o teatro dos séculos 20 e 21. Ele é considerado o Shakespeare do século 20 e é um dos autores mais montados no mundo inteiro.

Tchekhov 150 anos
Caixa Cultural São Paulo (Sé)
Praça da Sé, 111 – Centro
03 a 27 de junho
Entrada Franca

segunda-feira, 7 de junho de 2010

150 anos de Tchekhov, o médico que amava os palcos

Encontro em SP rende tributo à obra do dramaturgo e escritor russo, considerado pai do teatro realista
Maria Eugênia de Menezes
SÃO PAULO - Diante do sem-número de intelectuais, atores e diretores que chegavam em procissão do mundo inteiro, o presidente russo Dmitri Medvedev não teve dúvidas. Deixou de lado questões protocolares e cedeu seu avião oficial para que o grupo pudesse ir até Taganrog, cidade onde, exatamente 150 anos antes, nascera Anton Tchekhov (1860-1904).

Revelador, o ato de Medvedev dá a medida da importância que o aniversário do grande contista e dramaturgo, comemorado em janeiro deste ano, teve na Rússia. Mas não é apenas lá que a efeméride foi lembrada. Por aqui, ainda que com atraso de alguns meses, a data também deve ensejar comemorações, como o evento Tchekhov 150 Anos, que a Caixa Cultural Sé abre hoje.

Na extensa grade de atividades, apresentações teatrais, leituras dramáticas, palestras e oficinas devem retomar o legado do escritor, que alterou os rumos da prosa moderna com sua escrita sem excessos e seu gosto pelo realismo da existência cotidiana da burguesia. "Ele encerra a época de ouro da literatura russa, o período de Tolstoi e Dostoievski, e abre os caminhos para algo novo. Especialmente após a 2ª Guerra, existe um forte movimento de redescoberta de sua obra e Tchekhov foi alçado à condição de Shakespeare do século 20", comenta a pesquisadora russa e professora da USP, Elena Vássina, que participa de debate no dia 23.

Além de Elena, também integram a programação, que se estende até o dia 27, artistas e intelectuais, como o tradutor Boris Schnaiderman e os diretores Eduardo Tolentino, Maria Thais e Francisco Medeiros.

Natureza humana. Responsável por uma aclamada montagem de A Gaivota, na década de 1990, Medeiros retornou à obra do autor com o drama Réquiem. A peca, a ser apresentada em três sessões na Caixa Cultural, foi escrita pelo dramaturgo israelense Hanoch Levin a partir de três contos de Tchekhov e versa sobre a desilusão de um marceneiro, artesão de caixões, que, ao chegar à velhice, depara-se com a solidão. "Aqui, da mesma forma como acontece em O Jardim das Cerejeiras, o que importa é o que está subliminar", diz o diretor. "Tchekhov foi, sobretudo, um investigador dos mistérios da natureza humana."

Das criações tchekhovianas para o teatro, o público poderá conferir peças como A Gaivota, em leitura dramática conduzida por Denise Weinberg, e As Três Irmãs, em montagem da Cia. dos Desejos. Também merece relevo dentro da programação a extensa correspondência do dramaturgo, ressaltada em duas das encenações apresentadas: Aponto Tchecov, dirigida por Fernando Neves, e O Ruído Branco da Palavra Noite, da Cia. Auto-Retrato.

Mais conhecido por seu trabalho de investigação sobre o circo-teatro, Fernando Neves lança-se à aventura de exumar as cartas trocadas entre o escritor e seu editor, Aleksei Suvórin.

Já no caso de O Ruído..., o foco recai sobre a epistolografia dos grandes nomes do Teatro de Arte de Moscou. Foi debruçada sobre o livro O Cotidiano de Uma Lenda - Cartas do Teatro de Arte de Moscou, de Cristiane Layher Takeda, que a dupla de diretores Caetano Gotardo e Marina Tranjan colheu testemunhos da relação de Tchekhov com figuras essenciais, como Nemiróvitch-Dantchenko e Konstantin Stanislavski.

Em cena, os fragmentos lançam luz sobre a grande revolução teatral em curso na Rússia daquela época, tratam de episódios da vida pessoal do "pai do realismo", e também aparecem pontilhados por excertos de textos como Tio Vânia. "Havia nessas cartas uma inquietação, e esse é um sentimento que permeia também as suas peças", comenta Gotardo. "Equivocadamente, fala-se muito na falta de ação dos seus personagens, mas existe neles sempre um movimento, uma vontade, ainda que frustrada, de romper com esse imobilismo."

Programação

1ª semana
3/6
19 h - Leitura dramática da peça O Jardim das Cerejeiras, de Anton Tchekhov, com direção de Maria Thais.
4 e 5/6
19 h - Peça As Três Irmãs, de Anton Tchekhov, com a Cia. dos Desejos.
6/6
18 h - Peça As Três Irmãs
2ª semana
9/6
18h30 - Palestra Tchekhov e a Estética do Infinito, com Luiz Felipe Pondé
10/6
19 h - Interpretação e Linguagem, encontro com Denise Weinberg, Caetano Gotardo e Maria Thais
11 e 12/6
19 h - Peça O Ruído Branco da Palavra Noite, com a Cia. Auto-Retrato. Direção e dramaturgia Caetano Gotardo e Marina Tranjan
13/6
18 h - Peça O Ruído Branco da Palavra Noite
3ª semana
17/6
19 h - Leitura dramática da peça A Gaivota, de Anton Chekhov,com direção de Denise Weinberg
18 e 19/6
19h - Peça Réquiem, de Hanoch Levin, com direção de Francisco Medeiros
20/6
18h - Peça Réquiem
4ª semana
23/6
19 h - Palestra sobre teatro e literatura russa com Elena Vássina e Boris Schnaiderman
24/6
19 h - O Texto e a Escolha da Encenação, encontro com Marina Tranjan, Eduardo Tolentino de Araújo e Francisco Medeiros
25/6
19 h - Peça Aponto Tchekhov, de Alfredo Tambeiro, com direção de Fernando Neves
26/6
10 h às 13 h - Oficina de interpretação Elementos da Montagem da Peça As Três Irmãs, com a Cia. dos Desejos
19 h - Peça Aponto Tchekhov
27/6
10 h às 13 h - Oficina de interpretação Elementos da Montagem da Peça As Três Irmãs, com a Cia. dos Desejos
18h - Peça Aponto Tchekhov

TCHEKHOV: 150 ANOS - Caixa Cultural (100 lugares). Praça da Sé, 111, 3321-4400. 4ª a dom., 18h, 18h30, 19h. Grátis. Até 27/6

Fonte: Estadão